Fair Play Financeiro aperta o cerco: clubes precisam de “dinheiro novo” para sobreviver

Quem viu o Mundial de Clubes em 2025 constatou de perto a realidade do futebol mundial bater à porta. Por mais que os times brasileiros tenham entregado raça em campo e conseguido resultados heróicos, ficou clara a diferença que o poderio financeiro europeu faz nas quatro linhas.

Além disso, a necessidade de aumentar a arrecadação não é apenas uma questão de competitividade internacional. Ela é interna também. Com o novo plano de Fair Play Financeiro da CBF, os clubes se veem em uma encruzilhada: ou geram receitas novas e sustentáveis, ou terão que diminuir drasticamente suas ambições esportivas.

Mas como encontrar novas opções de renda no mercado atual? Veremos a seguir!

 

Exploração de transmissões para o mercado internacional

 

O Mundial de Clubes 2025 levou a imagem dos clubes brasileiros para milhões de torcedores internacionais. Americanos, franceses, ingleses, espanhóis: todos assistiram aos jogos de Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Botafogo. E se impressionaram!

Por isso, não devemos deixar essa chance passar: precisamos internacionalizar a transmissão do Brasileirão e torná-lo um produto global. Isso passa pela criação de produtos digitais exclusivos, programas de membership que vão além do desconto no ingresso e pela internacionalização da marca.

 

Licenciamento das marcas do clube no mercado de entretenimento

 

Outra avenida de crescimento pouco explorada por aqui é o licenciamento de marca para o setor de entretenimento digital. Existem muitas opções de licenciamento por explorar: desde a aparição do time em novelas e séries de TV até a presença em games, passando pelo mercado de iGaming.

O setor de cassinos e jogos de aposta online oferece grandes oportunidades para times de futebol. Existem até mesmo alguns títulos já temáticos de futebol, como o Futebol Fever ou o Penalty Shoot-out. Este último, por exemplo, é um game do tipo Crash em que o jogador deve tentar marcar o máximo possível de pênaltis escolhendo áreas do gol onde chutar a bola.

Imagine, portanto, se os clubes licenciassem seus escudos e mascotes para versões oficiais desses jogos. Em vez de um goleiro genérico, o torcedor enfrentaria o arqueiro rival em um ambiente digital com as cores do seu time. Ou seja, o clube gera royalties sobre um produto que já existe e tem alta demanda, sem precisar desenvolver a tecnologia do zero.

 

Exploração do estádio sempre que possível

 

Foto ilustrativa

Foto ilustrativa

 

Por fim, é preciso repensar o ativo físico mais caro dos clubes: o estádio. Mesmo em um calendário apertado, muitas arenas ficam ociosas na maior parte da semana. Transformar esses espaços em centros de convivência diária, com museus interativos, arena para shows, restaurantes e espaços de coworking é uma tendência internacional que pode chegar aqui. Contudo, é preciso ter os pés no chão.

Aumentar a receita é vital, mas não resolve o problema se o ralo das despesas continuar aberto. Segundo levantamentos recentes, a dívida combinada dos 10 clubes brasileiros mais endividados já chega perto dos R$ 10 bilhões. Ou seja, novas fontes de renda, sozinhas, não vão resolver isso.

Sem uma gestão austera e profissional para cumprir as regras do Fair Play, todo esse dinheiro novo servirá apenas para pagar juros de dívidas antigas. Afinal, no futebol moderno, ganha quem faz gol, mas só sobrevive quem sabe gerir bem o dinheiro.

 

Fotos: Pexels

 

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João Corneta

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