Dois pesos, duas medidas. Por que o Mundial de Clubes não é tão valorizado pelos europeus?

Lembro do primeiro Mundial que assisti com meu pai, foi em 1981: Flamengo (BRA) 3×0 Liverpool (ENG). Foi uma emoção aquele duelo entre América do Sul e Europa. Após o apito final os jogadores do Flamengo se abraçavam numa alegria contagiante. Na fazenda do meu vô – interior de Minas Gerais – onde assistimos na época, todos comemoravam, e nenhum de nós era rubro-negro.

Dois anos depois, no mesmo local e com quase todos presentes, vibramos com a vitória do Grêmio (BRA) por 2 a 1 na final contra o Hamburgo, da extinta Alemanha Ocidental. Novamente vitória brasileira e uma comemoração entusiasmada! Como antes, nenhum torcedor do Imortal.


(1981: Flamengo 3×0 Liverpool)


(1983: Grêmio 2×1 Hamburgo)

Entretanto, uma situação foi recorrente em todas essas ocasiões: o pouco abatimento evidente nos semblantes dos adversários, todos jogadores de times europeus. Mas como assim? Nas derrotas dos sul-americanos os jogadores se jogavam no chão em lágrimas, eram consolados pelo europeus, que nem comemoravam direito o feito: terem sido campeões mundiais de futebol.

Mas por que o Mundial de Clubes não era e, não é, tão valorizado pelos europeus?

Em entrevista publicada pelo pessoal da Betway Esportes, site de futebol bets, os ingleses não valorizam o torneio porque não enxergam nenhum sentido na disputa do título, ainda mais quando esse fica “encavalado” com outras competições domésticas, como a Copa da Liga Inglesa e, principalmente, desfalcam os times em rodadas importantes da Premier League, principal competição de clubes da Inglaterra.

Podemos sugerir também outras questões, que extrapolam o âmbito esportivo, como a “soberba” inglesa em relação a tudo o que acontece fora da ilha. Importante lembrarmos que a primeira participação da seleção inglesa em Copas do Mundo foi justamente no Brasil em 1950, o “English Team” considerava o torneio pouco atrativo em suas primeiras edições: Uruguai 1930, Itália 1934 e França 1938.

Outro ponto significativo é a grande concentração de jogadores talentosos, de todas as partes do mundo, nos campeonatos da Primeira e Segunda Divisões, gerando uma falta de interesse por parte dos torcedores em outros torneios, onde o nível técnico é inferior ao que costumam presenciar todo final de semana pelos estádios ingleses. Para eles a disputa do título mundial não gera nenhum desafio relevante.

Por fim, a gestão da competição realizada pela FIFA. Sem dúvida quando a entidade credenciou o campeão nacional do país sede para a disputa do título, ela diminuiu a importância dos demais concorrentes, campeões continentais, já que agora, um time sem esses títulos poderia sagra-se campeão do mundo. Não é à toa que, a partir de 2021, o Mundial de Clubes será disputado em um novo formato, a cada quatro anos e contará com 24 equipes do futebol mundial. É aguardar para ver se o interesse dos europeus irá aumentar.

Confira no video abaixo como os ingleses encaram o Mundial de Clubes.

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Adriano Ávila

A prova inquestionável que existe vida inteligente fora da Terra é que eles nunca tentaram contato com a gente.

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