A nova torcida da Seleção Brasileira

Um dos assuntos mais comentados nas mesas redondas pós Copa das Confederações foi a reconciliação da Seleção Brasileira com a torcida (ou o contrário). A relação andava bem estremecida, mais por conta da CBF que por parte dos torcedores, é bem verdade. Mas o que me chama atenção é que o jeito de torcer mudou.

Minha primeira lembrança de futebol é a Copa de 82, na Espanha. Eu tinha 5 anos (sim, minha memória é boa!). Assistimos a todos os jogos do Brasil na casa dos meus avós. Família grande, torcida enorme. Sim, uma torcida imensa pela Seleção Brasileira. Cada gol era comemorado como se fosse um gol do seu clube de coração. Lembro do meu pai me levando para a janela no gol do Éder contra a CCCP. A decepção também foi grandiosa, já que aquele time fantástico não foi campeão. Méritos para a Itália.

 

Espanha, 1982 - Fase de Grupos: BRA vs URS

Espanha, 1982 – Fase de Grupos: BRA vs URS

 

Sempre vi torcida por uma seleção como uma coisa mais família (principalmente em Copas do Mundo), diferente da paixão por um clube. É aquela sua tia que costura uma bandeira e enfeita a casa, aquele seu primo mais novo que ainda não entende direito o que é futebol, mas usa a camisa canarinho, a família que enfeita a rua de verde e amarelo. Talvez nessa época, a seleção brasileira fosse mais identificada com o povo. A maioria dos jogadores atuava aqui. Poucos iam se aventurar em terras estrangeiras.

Hoje o jeito de torcer me parece outro, principalmente dentro dos estádios, desculpe, das arenas. É a torcida baladeira, de moda. Tem mais cara de show do que jogo de futebol, o que importa é a festa. É aquele seu amigo que sempre pergunta “se empatar vai pros pênaltis?”, ou aquela sua amiga que nunca gostou de futebol, mas agora paga de torcedora fanática. Uma torcida que não se preocupa muito com futebol, que não está nem aí para o placar do jogo. Usando o termo da moda, uma torcida coxinha.

Ainda acho a Seleção Brasileira busca uma identidade com o seu povo. O grande desafio é separar o time da CBF, o que por enquanto, é muito difícil.

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André Fidusi

Publicitário e jornalista por formação, ilustrador por vocação. Futebol na veia. Quem pede recebe, quem desloca tem preferência. Pegar de pé é dibra. Vamo que vamo!

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