Marrocos: da estreia em 1970 ao sonho do título
O primeiro adversário do Brasil na próxima Copa do Mundo, e certamente o mais qualificado, se prepara para sua sétima participação na principal competição de seleções do planeta, a terceira de quatro consecutivas, antecipando a de 2030, já que será co-anfitrião. Esse é um sinal claro de que Marrocos evoluiu muito nos últimos anos, e seu espaço no futebol mundial está cada vez mais consolidado.
A estreia da seleção de Marrocos aconteceu curiosamente no México, em 1970, prova em que foi o único representante africano do torneio. Não chegou à fase eliminatória, mas competiu diante de “gigantes” como a Alemanha Ocidental. Voltou a ser eliminado na fase de grupos das edições de 1994 (nos EUA) e de 2018 (na Rússia). No caminho, foi em 1998 que os Leões do Atlas conquistaram sua maior vitória de todos os tempos (pelo placar), ao derrotar a Escócia por 3×0, mas acabaram eliminados, atrás do Brasil e da Noruega.
Na Copa do Mundo de 2026, repetem-se agora três equipes e é o Haiti que substitui a Noruega no grupo, em mais uma coincidência histórica, 28 anos depois. Segundo as casas de apostas, mesmo as africanas para ter uma percepção melhor, Marrocos é a seleção africana mais cotada, ficando à porta do top 10 das favoritas. Quem quiser aproveitar os bônus de boas-vindas em Angola para apostar nesta Copa do Mundo 2026 já pode começar a se preparar.
O primeiro adversário do Brasil
O jogo de estreia na 23.ª edição da Copa do Mundo vai ser, teoricamente, o mais difícil para o Brasil de Carlo Ancelotti. No MetLife Stadium, em Nova Jersey, Marrocos e Brasil prometem um duelo muito interessante, no mesmo estádio que, um mês mais tarde, vai receber a grande final do torneio. Só depois de defrontar Marrocos, o Brasil vai defrontar Haiti (em Filadélfia) e Escócia (em Miami). Teremos uma seleção marroquina em bom momento que vai desafiar o Brasil nesta Copa. Já depois da quarta colocação de 2022, os Leões do Atlas fizeram o pleno nas duas fases de qualificação principais que tiveram.
Na caminhada para o CAN, foram seis vitórias em seis jogos, com 26-2 em gols. E na classificação para o Mundial, foram oito vitórias em oito jogos, com um saldo de 22-2 em gols. Mais recentemente, como anfitrião, na CAN, perdeu a final nos pênaltis diante do Senegal, mas “reconquistou” o troféu na secretaria, dois meses depois da polêmica no jogo da final do Campeonato Africano. E confirmou mesmo a conquista do torneio… 50 anos depois da primeira conquista continental, em 1976. Essa parece ser uma seleção com muitas coincidência em sua história e feitos.
Quais as chances de Marrocos?
O sonho de Marrocos cresce a cada dia que passa, com o aproximar da competição. As semifinais atingidas na última Copa e a quarta colocação foram o melhor resultado de sempre de uma seleção africana, com um percurso notável e que ficou marcado pela vitória sobre duas das principais potências europeias (Espanha e Portugal) na fase eliminatória, depois de liderar o grupo, ao lado de Croácia (que tinha sido finalista vencida na Copa 2018), Bélgica e Canadá. Nas semifinais, a derrota com a França não beliscou uma campanha sensacional, que lembrou ao Mundo que em África também se “respira futebol”.
Os Leões do Atlas têm, por isso, legitimidade para sonhar. E não será necessariamente obrigatório vencer o Brasil para chegar longe nessa Copa. São 48 equipes, em um total de 104 jogos, com uma primeira fase de 12 grupos, seguida de uma fase de repescagem de acesso às oitavas de final. Um caminho longo, mas que abre boas perspectivas a vários “outsiders”, porque só haverá quatro terceiros classificados na primeira fase que não avançam.
Qualidade indiscutível do gol ao ataque
À frente do goleiro, o experiente Bono (Al-Hilal), a grande estrela da linha defensiva, mora na banda direita. Achraf Hakimi, campeão europeu pelo PSG, vai para sua terceira Copa consecutiva, e foi um dos titulares absolutos na era Walid Regragui e será também para o novo selecionador, Mohamed Ouahbi. Na banda esquerda, joga normalmente Mazraoui, do Man United.
Na linha defensiva, há ainda Adam Masina (Torino), Nayef Aguerd (Marseille) ou Ait Boudlal (Rennes) como garantia de equilíbrio. No meio-campo, El Ayanoui (Roma) e Azzedine Ounahi (Girona) têm muito mobilidade, bem acompanhados de Bilal El Khannouss (Stuttgart) e, claro, de Ismael Saibari, grande figura do PSV Eindhoven e o legítimo sucessor de Hakim Ziyech, grande figura da Copa 2022.
No ataque, destaca-se Brahim Diaz, que começou o ano de 2026 como melhor marcador da Copa Africana, mas há muitas e boas opções: Abde Ezzalzouli (Real Betis), Ayoub Kaabi (Olympiacos), Eliesse Ben Seghir (Bayer Leverkusen), Ilias Akhomach (Villarreal) ou Chemsdine Talbi (ala do Sunderland). Sem esquecer o virtuoso Soufiane Rahimi (Al-Ain) e, claro, Youssef En-Nesyri (Fenerbahce), que com três gols é o melhor marcador de sempre de Marrocos em Copas do Mundo: marcou a Portugal e ao Canadá na última Copa e já tinha marcado à Espanha em 2018.
O Projeto Marrocos-2030
A menos de 100 dias da Copa do Mundo, a Federação Marroquina de Futebol apresentou Mohamed Ouahbi como novo selecionador, sendo que desde janeiro se falava da sucessão de Walid Regragui, que conduziu Marrocos à quarta colocação na última Copa. Ouahbi treinava a seleção sub-20, que em 2025 conquistou o Mundial dessa categoria, derrotando a Argentina na final.
Esta troca no comando técnico de Marrocos está inserida no “Projeto Marrocos-2030”, que tem como objetivo dar mais recursos a uma seleção que sonha em ser campeã mundial. Por isso, nos últimos meses, desde que a FIFA atribuiu aos marroquinos a co-organização do Mundial 2030, o investimento tem sido gigante, em estádios, complexos de treinamento e outros investimentos na área da formação. Poderá Marrocos já em 2026 tirar proveito disso?
Foto de capa: divulgação
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