Verdadeira ou falsa?

A Sotheby’s irá leiloar entre 29 de junho e 16 de julho, em Nova York, a suposta camisa 10 usada por Pelé na final da Copa do Mundo de 1958, contra a Suécia, disputada no Estádio Råsunda, em Solna.

As fotos divulgadas pela casa de leilões, fundada em Londres em 1744 e uma das maiores e mais antigas corporações de arte, colecionáveis e mercado imobiliário de luxo, mostraram em detalhes a camisa “original” a ser leiloada.

 

Camisa a ser leiloada. Fotos: Sotheby's

Camisa a ser leiloada. Fotos: Sotheby’s

 

Camisa a ser leiloada. Fotos: Sotheby's

Camisa a ser leiloada. Fotos: Sotheby’s

 

Camisa a ser leiloada. Fotos: Sotheby's

Camisa a ser leiloada. Fotos: Sotheby’s

 

Entretanto, existem alguns pontos que despertaram a atenção e a curiosidade de quem pesquisa e estuda a história do futebol: a conservação da camisa, por exemplo, e o seu “não envelhecimento” aparente do tecido em relação ao escudo, mesmo sendo materiais distintos, além da cor amarela do número 10, bordado nas costas. Esse, sem dúvida, o ponto mais curioso. Essas características presentes ou ausentes na camisa deram margens para suspeitas de uma eventual fraude histórica em nome do Rei Pelé: uma camisa falsa com expectativa de venda de mais de 30 milhões de reais.

Tais suspeitas ganham força quando pesquisamos sobre a Sotheby’se e nos deparamos com dois escândalos de fraudes envolvendo a casa de leilões:

 

Sotheby's acusada de fraude. Matéria: UOL

Sotheby’s acusada de fraude. Matéria: UOL

(Matéria completa aqui)

 

Sotheby's acusada de fraude. Matéria: O Globo

Sotheby’s acusada de fraude. Matéria: O Globo

(Matéria completa aqui)

 

 

Verdadeira, de fato

 

Nas imagens a seguir, dois registros da final de 1958 quando o Brasil usou a camisa azul e também, fotos da camisa amarela, titular da seleção em todas as partidas na Copa da Suécia (até as semifinais), original de fato, e que se encontra no Museu do Futebol. Faz parte do acervo selecionado para a exposição Amarelinha, e disponibiliza ao todo, 22 camisas que contam a história da seleção brasileira nas Copas do Mundo, de 1958 a 2022.

O Futbox, inclusive, teve a honra de desenvolver as ilustrações dessa exposição. Todos os detalhes aqui.

 

Final de 1958. Foto: Getty Images

Final de 1958. Foto: Getty Images

 

Final de 1958. Foto: Getty Images

Final de 1958. Foto: Getty Images

 

Exposição Amarelinha, no Museu do Futebol

Exposição Amarelinha, no Museu do Futebol

 

Camisa original de 1958, usada pelo jogador José Altafini (o Mazzola)

Camisa original de 1958, usada pelo jogador José Altafini (o Mazzola)

 

Comparativo amarelos

Comparativo amarelos

 

Como podemos observar na última foto, o tom de amarelo da camisa original de 1958, que serviu para construir e costurar os números nas costas da camisa azul, são muito diferentes, mesmo se desconsiderarmos eventuais processos de armazenagem e iluminação, pois trata-se também das diferentes texturas entre os materiais.

 

E se…?

 

Questões envolvendo a autenticidade das camisas históricas do Brasil não são uma novidade. Em 2008, quando se comemorou 50 anos do primeiro título mundial da seleção brasileira, houve outra polêmica, referente à camisa que Pelé teria usado na partida contra o País de Gales, quando marcou seu primeiro gol em Copas do Mundo. (Matéria completa aqui).

Na ocasião, foram divulgadas duas camisas com tons distintos de amarelo e cores diferentes dos números nas costas: verde e azul. Seria possível o Brasil ter usado na partida contra Gales uma camisa diferente? No caso, com o número azul nas costas? Ou ainda, um eventual segundo jogo de camisas que existiu, mas não foi usado na Copa de 58?

Diferentes escudos e tons de amarelo nas camisas "originais" de 1958

Diferentes escudos e tons de amarelo nas camisas “originais” de 1958

 

E aqui teríamos uma segunda pergunta: e se os números cortados para costurar na camisa azul da final de 58, foram desse segundo jogo? Isso reforçaria a autenticidade da camisa azul que será leiloada, por exemplo, uma vez que os tons de amarelo e materiais do número 10 são muito diferentes da camisa titular de 1958, que está em exposição no Museu do Futebol. Restaria ainda, a questão do tecido da camisa azul, que aparentemente, não envelheceu durante os últimos 68 anos.

 

Comprada às pressas

 

A camisa amarela de 1958 foi recortada para formar os números nas costas da camisa azul, comprada às pressas pela CBD (1916 a 1979), para a disputa da grande final, contra a anfitriã Suécia, onde foram bordados também, os respectivos escudos da seleção brasileira da época.

Em entrevista ao site Globo Esporte, em 2008, Djalma Santos, lateral-direito bicampeão do mundo (1958 e 1962), relembrou esse episódio:

“Houve um sorteio e o Brasil perdeu. Tínhamos que trocar a camisa. Foi aquele baque. Por que mudar se estávamos ganhando? Então o Paulo Machado de Carvalho (chefe da delegação) e o Carlos Nascimento foram em uma loja e compraram a camisa azul. O Assis (médico) e o Pinheiro (massagista) se meteram a bordar os números nas costas da camisa. Então o doutor Paulo Machado, que era muito esperto, disse para a gente: ‘Vamos trocar pela camisa azul porque é a cor do manto da Nossa Senhora”. Aí acabou o receio de trocar de camisa”.

A CBF não fez nenhuma declaração sobre o leilão da suposta camisa 10 de Pelé, até a publicação desse artigo. Tal manifestação da entidade seria muita bem-vinda e serviria para validar a autenticidade da camisa, entre outras coisas.

 

Fotos: Futbox, Getty Imagens e Sotheby’s

 

 

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Adriano Ávila

A prova inquestionável que existe vida inteligente fora da Terra é que eles nunca tentaram contato com a gente.

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