Não basta ser Canarinho, é preciso transformar-se em Jordan

Divulgar nem sempre é promover. Às vezes, é preciso divulgar algo equivocado para gerar o questionamento necessário e então, perceber a manipulação cultural e suas nuances.

O teaser divulgado hoje, da fornecedora esportiva da seleção brasileira, é bem equivocado, para dizer o mínimo. Impactante, estimulante, motivador, etc. Entretanto, mostra um desconhecimento considerável da tradição brasileira no futebol.

Trata-se, na verdade, de mais um comercial (apropriação) dos EUA na sua eterna missão divina de salvar o mundo, impondo a sua cultura em países estrangeiros. Agora é a vez de salvar o Brasil nas Copas. Tal peça publicitária vai gerar audiência e engajamento nas redes sociais e talvez, a polêmica sobre o óbvio.

Enquanto é canarinho, está preso. A liberdade acontece após receber a “graça cultural” e a marca/símbolo da principal fornecedora esportiva de um país que possui a solução para tudo e para todos.

A música de fundo escolhida foi “Voa Canarinho” (Povo Feliz) de 1982, gravada por Júnior, lateral esquerdo da seleção que encantou o mundo, mas não conquistou a Copa. No fim, uma escolha paradoxal.

Não é motivo de orgulho para essa fornecedora assinar o uniforme da seleção brasileira. É uma necessidade. Somente a partir disso, o Brasil seria capaz de conquistar mais um título mundial. Uma inversão de valores absurda.

A gestão de marca inteligente acontece quando geramos valor para o torcedor. No teaser, a mensagem “subliminar” é quase humilhante. Inimaginável uma substituição do canarinho em tempos de Pelé, Garrincha, Gérson, Tostão, Zico, Reinaldo, Sócrates, Falcão, Rivaldo, Romário e Ronaldos.

Uma peça imperialista que procura desvalorizar “quem somos”, porque isso não basta, precisamos “ser como eles”. Isso poderia soar como mimimi para algumas “cabecinhas de vento” da imprensa e redes sociais. Hoje, inclusive, existe um nome para eles: influencers.

A mistura é sempre bem-vinda. Enriquece o aprendizado, abre a cabeça e o coração. A escolha da marca Jordan seria excelente para promover isso. Porém, a execução foi lamentável ou, na “zoação” futebolística, juvenil.

O Brasil não precisa ser substituído para conquistar sua 6ª estrela.

Viva a pluralidade e as diferenças. Rumo à igualdade. Infelizmente, nada disso está no teaser.

 

 

 

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Adriano Ávila

A prova inquestionável que existe vida inteligente fora da Terra é que eles nunca tentaram contato com a gente.

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