O ser humano não é refrigerante
A remada viking (Viking Row) não é uma “jogada de marketing”. Nem tudo no mundo contemporâneo precisa se transformar em produto. Uma boa ideia, por exemplo, pode ser apenas um saudável passatempo.
A pessoa não tem que virar um empreendedor, elaborar um modelo de negócios, fazer empréstimos, conseguir um investidor, etc. Pode apenas se divertir com a sua ideia.
Em relação à remada simulada pela torcida norueguesa, trata-se apenas de uma coisa que pode parecer surpreendente para muitos. Atende pelo nome de futebol.
Curiosamente, temos o protesto do torcedor da Noruega, Emil Anners Lappen, de braços cruzados na foto de capa desse artigo. Ele não participa da remada e justifica sua atitude: “Os dracares vikings eram movidos, na maior parte do tempo, por velas, e não por remos.”
Talvez seja preciosismo da parte de Emil, a linguagem e os significados são dinâmicos – e no caso específico – não alterou ou normalizou conceitos ou mesmo, hábitos criminosos ou racistas do passado. A remada traduz a alegria de uma torcida que se sente representada por sua seleção. Não precisa ser coerente com a história. Aliás, coerência no futebol, presente em inúmeros discursos de treinadores, muitas vezes significa mediocridade. Viva a dúvida.
O capital e o seu fiel escudeiro, colonialismo (mental), não tiram trégua nunca. O que me lembrou uma frase famosa, do terceiro presidente de uma das sedes dessa Copa: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”.
A ideia de que uma jogada de marketing pode render uma grande história e virar um bom produto é reduzir o ser humano a uma lata de refrigerante.
Montagem capa: Futbox | Foto: Torcedor da Noruega de braços cruzados durante a remada viking (NRK Sport)
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